quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Som das Estrelas: Música e Danças Ancestrais para saúde, longevidade, sonho consciente e adentrar no mundo Espiritual.


A música e a dança possuem o poder de transformar maldições em bênçãos, todo o universo está numa constante festa. Os planetas, as estrelas, o vento, a água e o coração de todos os seres seguem dançando no fluxo da grande música celestial.

Vamos aprender sobre música e danças sagradas:
- utilizadas para trazer saúde ao corpo e à mente;
- limpar ambientes;
- evocar o poder das estrelas e constelações;
- afastar fantasmas do passado;
- evocar espíritos de luz de natureza divina;
- estudar os padrões rítmicos que servem para acessar a força invisível que brilha em todos os seres;
- selecionar objetos com força espiritual;
- aprender toques de maracas e flautas;
- ritos de tambor e castanholas;
E utilizaremos instrumentos de poder para curar, limpar energia e ampliar nossa força vital e espiritualidade.


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Inscrições: institutokunlun@gmail.com, inbox ou whats (16) 98848-7174
Confirmação mediante depósito e envio de comprovante.
Investimento: R$ 250,00 (Antecipado até dia 20/05, após o valor será reajustado)
Conta para depósito:
Banco de Brasil; Ag: 0028-0 / Cc: 210482-2
Maitê Fernanda Gomes

Incluso: coffee de bolacha vegana e chá tradicional chinês
um instrumento de poder



O evento acontece no Instituto de Música de Ribeirão Preto - Interior de São Paulo - João Penteado 1536
Dia 27/05 - sábado das 9h às 17h30 (almoço não incluso)
Dia 28/05 - domingo das 9h às 13h

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Facilitador: Monge Tai Yin Yi (Carlos Gonzaga).

Portador da linhagem taoista Jiulong Kunlun e representante dela na América Latina, tendo recebido a linhagem do grão-mestre chinês Chan Tzi além de ser iniciado em outras tradições espirituais do oriente e ocidente.

Estudante de Xamanismo Maia-Tolteca diretamente com os detentores da linhagem no México (Amalaya) e no Brasil (Nahulli) e também as artes Mágicas de Flauta Andina (Antara e Quena).

Praticante das artes de flauta chinesa (Dizi) e tambor para as práticas de sonho consciente (DaGu), além dos ritos com maracas (Malacasi), castanholas (Xiang Ban) entre outros objetos.

Graduado em Música (USP), pesquisador de Chi Kung (Qigong - artes de cultivo de energia) e Medicina Tradicional Chinesa, possui especialização em Fisiologia (UTC). Estuda música sacra e ópera, sendo integrante da companhia brasileira Sol´Opera e solista da Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto. Professor do Instituto de Música de Ribeirão Preto e também ministra aulas de Fisiologia da Voz nos cursos de pós na área de Fonoaudiologia em diversas universidades do Brasil e do exterior.
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sábado, 8 de abril de 2017

ZhuangZi - Primeiro Capítulo - Tradução

Zhuang Zi (Chuang Tzu na escrita anterior ao pinyin) foi um sábio imortal que viveu no séc. IV a.C. e foi um poeta e escritor muito importante, sua coletânea de textos recebe o seu nome.
Particularmente meu mestre tinha uma ligação muito forte com ele e eu herdei essa conexão, esse amor. Zhuang Zi é a emanação da luz de uma estrela muito brilhante no firmamento (San Yuan - Os três puros que habitam o WuJi).
Nos textos dele nós encontramos um dos pilares mais importantes do taoismo, e a base para muitas práticas fundamentais para uma vida sã e um coração pleno de luz, e a sua citação mais famosa encontra-se no final do segundo capítulo: "Ao dormir sonhei que era uma borboleta voando, agora acordei e não sei se sou uma borboleta sonhando ser um homem, ou o homem que sonhava ser uma borboleta".

Tradução e comentários (entre parênteses): Tai Yin Yi - Carlos Gonzaga - Tradição JiuLong Kunlun


Coletânea de ZhuangZi (Mestre Zhuang)


Capítulos Internos
Capítulo 1 – Vagando livremente

I.
Nas profundezas do oceano norte há um peixe chamado K´un (Leviathan no ocidente). Ele é tão grande que ninguém sabe ao certo por quantas centenas de tamanho se expande o seu corpo. Depois de se transformar em um pássaro, seu nome se torna P´eng (Garuda, Serpente Emplumada). Ele é tão enorme que ninguém sabe por quantas centenas de tamanho suas costas se estendem. Quando alça voo, suas asas são como nuvens suspensas no céu. P´eng tremula as águas do oceano e sobe num redemunho de vento se preparando para a jornada até a parte sul do oceano, o Lago do Céu. Nas palavras das Fábulas de Ch´i, um registro das maravilhas: “Quando viaja para o oceano sul. O P´eng agita as águas com suas asas por três mil medidas, então ele sobe para a altura de nove mil medidas e viaja sobre as correntes de ar do fim do verão”. Aqui cavalgando rajadas e correntes de vento está soprando sobre a respiração dos organismos viventes. "Seria azul a cor verdadeira do céu? Ou o céu é tão distante que seus limites nunca podem ser alcançados?" Quando P´eng olha para baixo, ele vê a mesma coisa que vê quando olha para cima. Uma cigarra e uma pomba riram de P´eng dizendo: “batendo as asas, nós voamos até pousarmos em um monte ou uma árvore. As vezes quando nós não fazemos isto, simplesmente caímos na terra e é isto. Qual o sentido de voar nove mil medidas acima e para ir ao sul?” Se você estiver indo para regiões próximas você só precisa levar três refeições e ainda vai voltar com o estômago cheio. Se você estiver viajando para uma centena de distância, necessita ter bastante comida para passar a noite. Mas se você está viajando para muito longe, você precisa reservar três meses de alimentação. O que essas duas criaturas sabem? Um pequeno conhecimento não compete com um grande conhecimento, uma visão limitada da vida não compete com grandes experiências. Como nós podemos saber das coisas? Um cogumelo que nasce ao amanhecer e morre no entardecer não sabe a diferença entre o dia e a noite. Um gafanhoto não sabe a diferença entre primavera e outono. Estes são pequenos exemplos de conhecimento de vida. Na parte sul do estado de Ch´u há uma tartaruga chamada Espírito Negro (Xuan Wu) para quem já se passaram quinhentos anos de primavera e outono. Na antiguidade havia uma árvore de cedrela que tinha mais de oito mil anos. Estes são exemplos de muita experiência de vida. 
Atualmente o Progenitor Peng Zu é famoso por ter mais de setecentos anos. Não é patético que alguém tente competir com ele (lhe ensinando sobre a vida)? (Aqui há uma referência clara ás pessoas que podem manter a consciência intacta mesmo com o passar de muitas vidas). A questão colocada por T´ang, o primeiro imperador da dinastia Shang para seu sábio ministro Chi é similar (Livro da harmonia universal): “Para subir, descer, e as se mover nas quatro direções há um limite?” _Através da ilimitabilidade existe outra ilimitabilidade, disse Chi. No árido norte a um mar negro e profundo, o Lago do Céu (O portal para onde a estrela Polar aponta e que temos que atravessar com o corpo de luz para podermos sair das limitações da Terra). Neste mar há um peixe chamado K´un que tem algumas milhares de medidas, mas ninguém sabe ao certo seu comprimento. Há também um pássaro chamado P´eng cujo as costas são como as montanhas T´ai e suas asas são como nuvens suspensas no céu. Ele se levanta como um tornado a noventa mil medidas, atravessando as nuvens com sua cabeça partindo para o distante oceano sul com o céu azul tocando suas costas. Um pássaro do pântano riu de P´eng dizendo: “aonde ele pensa que está indo? Eu alço voo e retorno quando vejo um jardim. Voando rapidamente entre arbustos e amoreiras, isto é o melhor em voar. Então, onde ele acha que está indo? Isto mostra a diferença entre o grande e o pequeno. (o que pode ser compreendido por uma pessoa limitada e uma pessoa que sabe de sua verdadeira natureza). Há aqueles que possuem conhecimento qualificado para um apontamento menor, aqueles que conduzem sua vida sob a visão de um provinciano, e aqueles cujo a virtude lhe convém para a regência que possam ganhar a confiança de um país inteiro. Sua autoestima é como a de um pássaro do pântano, deste modo, o mestre Sung Jung sorriu para eles com complacência. Ali estava um homem que não se sentiria lisonjeado nem se o mundo inteiro o elogiasse, nem se frustraria se o mundo inteiro o censurasse. O mestre Sung era capaz de fazer isso devido a ele saber diferenciar o que era interior e exterior, e não fazia distinção entre honra e desgraça. Embora não estivesse envolvido com assuntos mundanos ainda havia algo que ele não conseguia realizar.o mestre Lie podia andar sobre o vento onde quisesse, vagando maravilhosamente e voltando apenas após quinze dias. Embora não estivesse envolvido na busca de bênçãos e portanto pudesse dispensar o aprendizado de métodos, ainda havia algo que ele precisava realizar. Supondo que houvesse alguém que pudesse cavalgar sobre a verdade do Céu e da Terra, que pudesse andar sobre as transformações das seis respirações vitais e assim ir caminhando pelo infinito. Em que ele teria que se realizar? Portanto, é dito que o homem em seu último estado não tem individualidade. O espírito pessoal não tem realização, e o sábio verdadeiro não tem nome.

II.
Yao sentindo o peso de governar e desejava abdicar de seu governo de “tudo sob o céu” (império) e entregá-lo a Hsŭ Yu (um eremita lendário), dizendo: "Se não apagássemos uma vela quando o Sol e a Lua Cheia saírem, seria difícil discernir a luz e enxergar? Se continuar a irrigar os campos quando as chuvas sazonais caem, não teria pouco efeito sobre a quantidade de umidade neles? Uma vez que você estiver estabelecido no trono, mestre, todo império será bem ordenado. Mas eu ainda sou o governante e me considero inadequado. Permita-me entregar-lhe o império".
"Você está governando", disse Hsu Yu, "e o império já está bem ordenado. Se eu fosse substituir você, eu faria isso pelo nome e título? Um nome é apenas um atributo da realidade. Eu faria isso por causa da atribuição? A carriça (passarinho) aninha na floresta profunda, ocupando apenas um ramo. A toupeira bebe do rio apenas o necessário para encher a barriga. Retorne, senhor, e esqueça esse negócio. Não tenho necessidade de tudo sob o céu! (tudo sob o céu é a forma de se referir a império, mas aqui há um trocadilho também). Mesmo supondo que o cozinheiro não estivesse atento a sua cozinha, eu me finjo de morto, não saltaria sobre os potes e panelas para tomar seu lugar.

III.
Chien Wu disse a Lien Shu: "Eu ouvi Chieh Yi (um imortal) falar, suas palavras são impressionantes, mas não vão aos pontos. Uma vez que ele sai em uma tangente, ele nunca mais volta. Eu fiquei surpreso com suas palavras, que eram ilimitadas como a Via Láctea. Eles eram extravagantes e distantes da experiência humana". 
"O que ele disse?", Perguntou Lien Shu."Ao longe na Montanha Kuye habita um homem espiritual cuja pele é como a neve congelada e que é gentil como uma virgem. Não come nenhum dos cinco grãos, mas inala o vento e bebe o orvalho (Bigu - se alimenta de luz e dos vapores naturais da luz primordial). Ele cavalga sobre as nuvens, Conduz um dragão voador e vagueia além dos quatro mares, seu espírito está concentrado, salvando as coisas da corrupção e trazendo uma colheita abundante a cada ano”. Pensando nessa loucura, recusei-me a acreditar no que ele disse.
"De fato!" Disse Lien Shu. "O cego não pode compartilhar a exibição de padrão e ornamento, o surdo não pode compartilhar o som de sinos e tambores. Não só há cegueira física e surdez, eles também existem em um plano intelectual. Parece que as palavras de Chie Yi foram dirigida a você. O homem espiritual é de tal integridade que ele se mistura com a miríade de coisas e se torna um com eles. A luta mundana leva ao caos. Porque ele deve se esgotar com os assuntos de todos sob o céu? Nada pode prejudicar o homem espiritual. Ele não se afogaria em uma inundação que suba ao céu, nem seria queimado em uma seca feroz que derrete minerais e queima as colinas. Alguém que poderia moldar um Yao ou um Shun (centros de energia) de poeira e resíduos. Por que ele deveria estar disposto a incomodar-se com tais coisas?".

IV.
Um homem de Sung (parte central da China) que vendia trajes cerimoniais viajou ao estado de Viet (sul da China na época de ZhuangZi). Mas os povos de Viet cortaram fora seus cabelos e tatuaram seu corpo, assim os trajes não possuíam mais nenhuma utilidade.O rei Yao trabalhou duro: trouxe ordem a todas as pessoas debaixo do céu (no seu império) e trouxe paz a todos dentro dos quatro mares. Ele foi para a distante Montanha Kuyeh para visitar os quatro mestres. Ao retornar a sua capital na margem norte do rio Fen, ele caiu em um atordoamento e percebeu que se esqueceu de tudo sobre o seu império.

V.
O Mestre Hui (Hui Zi – Amigo e filósofo predileto de Zhuang Zi) disse ao Mestre Zhuang: "O Rei de Wei me presenteou com as sementes de uma grande cabaça, eu as plantei e elas cresceram e deram um fruto que podia conter cinco medidas." Enchei a cabaça de líquido, mas suas paredes não eram fortes o suficiente para isto. Eu dividi a cabaça em conchas, mas sua curvatura era tão leve que não seguraria nada. Embora a cabaça foi reconhecidamente de grande capacidade, quebrei-a em pedaços, era inútil."Senhor", disse Mestre Zhuang, "é você que foi inabilidoso sobre a utilização das proporções da cabaça. Havia um homem de Sung que era bom em fazer uma pomada para mãos rachadas. Por gerações o trabalho da família tinha sido lavar o fio de seda. Um estranho que ouviu falar da pomada ofereceu-lhe cem barras de ouro para a saber a fórmula. O homem de Sung reuniu seu clã e disse-lhes: "Nós temos lavado fio de seda por gerações e ganhamos não mais do que algumas barras de ouro. Agora vamos fazer uma centena em uma manhã se vendermos a fórmula. Por favor, deixe-me dá-la ao estranho.Depois que o estranho obteve a fórmula, ele persuadiu o Rei de Ngwa de sua utilidade. O reino de Viet atacou o reino de Ngwa, então o Rei de Ngwa nomeou o estranho ao comando de sua frota. Naquele inverno, ele lutou uma batalha naval contra as forças de Viet e derrotou-as porque as mãos de seus marinheiros não ficaram rachadas. O rei de Ngwa deu-lhe uma porção de terras."A habilidade de evitar as mãos rachadas era a mesma, mas uma pessoa ganhou um feudo com ele, enquanto a outra não conseguia se livrar da lavagem do fio, porque os usos para os quais se colocaram eram diferentes. Tinha uma cabaça de cinco medidas. Porque você não pensou em amarrá-lo em sua cintura como uma grande boia para que você pudesse ir flutuando sobre os lagos e rios em vez de se preocupar que não poderia segurar nada por causa de sua curvatura superficial? "Isso mostra, senhor, que você ainda tem espinhos no cérebro!"O Mestre Hui disse ao Mestre Zhuang: "Eu tenho uma árvore grande (Quassia Stinky), seu grande tronco é tão retorcido que não pode ser medido com uma linha alongada. Seus pequenos ramos são tão torcidos e virados que nem a bússola nem um quadrante podem ser aplicados a ela. Fica ao lado da estrada, mas os carpinteiros não a querem. Agora, senhor, suas palavras são como a minha árvore: grande, inútil e não desejada por ninguém."Senhor;" Disse o Mestre Zhuang, "você é o único que não observou um gato selvagem ou uma doninha?" Agachados, eles ficam à espera de sua presa, saltam para leste e oeste, evitando os altos e baixos até que sejam capturados em um laço ou morram em uma armadilha de rede. Há o iaque, grande como as nuvens suspensas no céu. É grande, tudo bem, mas não pode pegar ratinhos. Agora, senhor, tem uma árvore grande e é incomodado por sua inutilidade. Por que você não a planta em um lugar onde não há nada, ou em campo aberto e largo? Lá você pode vagar na não-ação (Wu Wei) ao seu lado e dormir tranquilamente abaixo dela. Assim a vida da sua árvore não será cortada curto por machados, nem será qualquer outra coisa a prejudicá-la. No entanto, não entendo: por quê algo sendo julgado como inútil ainda assim consegue te trazer sofrimento?" (nada possui uma utilidade por si mesmo).

Traduzido por Tai Yin Yi - Carlos Gonzaga - Tradição Jiulong Kunlun

Em breve o texto na integra com todos os capítulos vai estar disponível no nosso site, aproveite e visite-o: www.taoismobrasil.com
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